IGR: 0095. Versión: 74. Rima: estróf.. Hemistiquios 37.
Portugal s. l. (Portugal)
Estando eu no meu tear, tecendo seda amarela,
vem o Conde d` Alemanha, três fios me tira dela.
Deixe vir meu pai . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Venha, senhor pai, ora venha, pela sua vinda estava espirando:
estando eu no meu tear, tecendo seda amarela,
vem o Conde d` Alemanha, três fios me tirou dela.
Cala-te, ó minha filha, que isso foi a brincar.
Mal o haja, ó meu pai, tais brinquedos a mangar!
Pegou-me pelo braço, na cama me quis deitar.
Cala-te já, ó minha filha, vem-me pôr de jantar,
que ao depois, por sobremesa, vai o Conde a degolar.
Venha ver, senhora mãe, pela janela do canto,
venha ver o senhor Conde, como lhe reluz o branco.
Venha ver, senhora mãe, pela janela do meio,
venha ver o senhor Conde, como reluz o vermelho.
Mal o haja, ó minha filha, o leite que tu mamaste;
a um Conde tão bonito a morte que lhe causaste!
Cale-se lá, ó minha mãe, que a não ouçam na rua,
que a morte que o Conde leva já esteve para ser sua.