Conde Alemán v70

IGR: 0095. Versión: 70. Rima: estróf.. Hemistiquios 53.

Praia da Vitória (c. Praia da Vitória, isla de Ilha Terceira, Açores, Portugal)

Já o sol dá na vidraça,    desponta o claro dia,
e o Conde da Alemanha,    com a rainha dormia.
Não o sabia o rei,    nem quantos na corte havia;
sabia-o Dona Paulina,    filha da mesma rainha.
Queira Deus, Dona Paulina,    que me saibas encobrir,
que o Conde da Alemanha    de seda te quer vestir.
Não me importa a sua seda,    nem tão pouco o seu damasco,
ainda tenho meu pai vivo,    já me querem dar padrasto.
As mangas da minha camisa,    não as chegue a romper,
se quando o meu pai vier,    não lhe for a dizer.
A menina nestas práticas,    o pai à porta a bater:
Que tendes, Dona Paulina,    que tendes, ó filha minha?
Estando na minha cela,    dobando seda amarela,
vem o Conde da Alemanha,    três fios me quebrou dela.
Cala-te, Dona Paulina,    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
cala-te, filha minha,    não te estejas a zangar,
que o Conde é menino,    o faria por brincar.
Arrenego dos seus brincos,    do seu tão negro brincar,
pegou-me pela mão    e à cama me quis levar.
Se isso é verdade,    eu o quero mandar matar,
e ao rabo dos meus cavalos,    o mandarei arrastar.
Vinde ver, senhora mãe,    vinde, vinde, com cortesia,
ver o Conde de Alemanha,    entre tanta fidalguia.
Arrenego de ti, filha,    mais o leite que mamaste,
a flor dum homem tão lindo,    a morte que the causaste.
Cale-se, senhora mãe,    cale-se em cortesia,
que a morte que lhe causei,    não a cause também a si.

Bibliografía:
antes de 1935. Publicada en Lima 8 de junio 1935, 2829; Carinhas 1995, II. 41. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 849, p. 70. © Fundação Calouste Gulbenkian.