Conde Alemán v6

IGR: 0095. Versión: 6. Rima: estróf.. Hemistiquios 52.

N/A (facticia)* (Portugal)

Já o sol dá na vidraça,    já lá vem o claro dia,
e `inda o conde d` Alemanha    com a rainha dormia.
Não o sabia el-rei    nem quantos na corte havia;
sabia-o dona Bernarda,    filha da própria rainha.
Mangas da minha camisa,    não nas chegue eu a romper
se em meu pai vindo da missa,    logo lho não vou dizer.
Venha embora, senhor pai,    boa seja a sua vinda;
tenho para lhe contar    um conto de maravilha.
`Stando eu no meu tear    bordando de ouro na tela
veio o conde d` Alemanha,    três fios me tirou dela.
Cala-te, ó minha filha,    ninguém te oiça dizer tal.
Deixa o Conde d` Alemanha    que é menino, quer brincar.
Arrenego de tal conde,    mais de seu negro brincar!
Pegou-me logo na mão    e à cama me quis levar.
Cala-te já, minha filha,    que eu o mandarei matar.
Ao rabo do meu cavalo    vê-lo-ás logo arrastar.
Vai o Conde d` Alemanha,    ei-lo vai a degolar.
Ao rabo de um cavalo    lá o levam a arrastar.
Numa campa rasa e triste    já o deixam enterrado.
Puseram-lhe à cabeceira    um letreiro bem gravado
e quem passar que lhe diga:    «aqui jaz o malfadado
que morreu de mal d` amores    que é um mal desesperado!»
Mal hajas, ó cruel filha,    mais ao leite que mamaste,
a um conde tão formoso    tu a morte lhe causaste.
Cale-se aí, minha mãe,    não me obrigue a mais falar,
que a morte que ele teve    não lha faça eu levar.
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Reproduz-se a versão estabelecida por Garrett, no respectivo manuscrito autógrafo, e assinalam-se as variantes por ele fixadas a partir de versões oriundas de Coimbra (Co), Borda d` Água (V), Lisboa (L), Faial (Gf), versão recolhida por Gomes Monteiro a um seu criado faialense, Ponte de Lima (G), enviada também por Gomes Monteiro e Castelo Branco (B).    

Otros datos:
Variante autógrafa de Garrett por ele inscrita na margem direita da página 43: -6 da caça.

Variantes: -1a Já lá vem o sol abaixo (Co); Já lá vem o sol na serra (V). -3b nem na corte se sabia (Co). -4b a infanta sua filha (V). Entre -4 e -5 Se o sabes, minha filha, / não me queiras descobrir (V); Se o sabes, ó Bernarda, / tu me queiras encobrir // que o Conde de Alemanha (L); que o conde é rapaz novo (Co); de oiro te há-de vestir. // Não quero vestidos de ouro / pois os tenho de damasco // ainda tenho meu pai vivo / já me querem dar padrasto (L). Palavras não eram ditas / o pai à porta batia (Gf). -7 Deus venha co` senhor pai / e o traga na sua guia (Gf); Bem vindo seja meu pai / mais a sua bizarria (L). -7a Vinde embora (Co). -8b um conto à maravilha (Co). Entre -8 e -9 Conta, conta, minha filha, / que folguei de te ouvir (Co). 9 Estando eu no meu estrado / tirando seda amarela (Gf); Estando eu na minha cela / a dobar seda amarela (Co). -9b bordando ouro na tela. -10a Passa o Conde da Alemanha (Gf). -10b três fios me levou dela (G). -11 Cala-te daí, minha filha, / manda-me pôr de jantar (G). -12 que o Conde de Alemanha / é mancebo, quer brincar (G); porque o conde é menino / fá-lo-ia por brincar (V). -13a Arrenego de seu brincos (G); Maldito seja o tal conde (Gf). 13b de tal modo de brincar. -14a que pegou em mim nos braços (G). -14b na cama me quis deitar (Co). -15a Cala-te daí, minha filha (G). -15b manda-me por de jantar (G); manda chamar os criados (Co). -16a que o Conde de Alemanha (G); que daqui a uma hora (Co). -16b logo vai a degolar (G); o mandarei a matar (B); vai o conde a degolar (Co). Entre -18 e -19 Venha ver, ó minha mãe(Co); Venha cá, ó minha mãe (V). À janelinha do canto (Co); para a janela do meio (V). Venha ver o senhor conde (Co); ver o Conde d` Alemanha (V). Como lhe parece o branco (Co); enfeitado de vermelho (V). Venha ver, ó minha mãe (Co); venha cá, senhora mãe (V). À janelinha do poço (Co); à janela do quintal (V). Venha ver o senhor conde(Co); ver o Conde d`Alemanha (V). Com uma corda ao pescoço (Co); com vai a degolar (V). -23a Ó maldita, minha filha (Co); mal o hajas tu, princesa (G). -23b Foi o leite que mamaste (Co); mai` lo leite que mamaste (G). -25a Cale-se, ó minha mãe (Co). -25b Não me faça agoniar (B); não oiça meu pai na rua (Co). -26a Que a morte que o conde leva (B e Co); -27a Não lha faça eu apanhar (B); ainda pode ser a sua (Co).

Bibliografía:
Recogido antes de 1851. Publicada en ms. de Almeida Garrett, incluído en el `Cancioneiro de Romances Xácaras e Solaos`, depositado en la sala Ferreira Lima de la Fac. de Letras de la Universidad de Coimbra, pp.42-45 y 48-51. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 784a, pp. 13-15. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0101 No me entierren en sagrado contam.]