IGR: 0095. Versión: 7. Rima: estróf.. Hemistiquios 34.
Bragança (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Estando eu no meu tear a tecer seda amarela,
passa o conde da Alemanha, três fios me tirou dela.
Venha vindo ó meu pai, boa seja a sua vinda,
hei-de-lhe contar um conto, um conto de maravilha.
Estando eu no meu tear a tecer seda amarela,
passa o conde da Alemanha, três fios me tirou dela.
Cala-te, ó minha filha, que te não ouçam falar:
é o conde da Alemanha, menino que quer brincar.
Maldito sejam os seus brincos e o seu doce brincar;
agarrou-me em seus braços, à cama me quis levar.
Se é isso, minha filha, eu o mando já matar.
Venha vindo, minha mãe, à janela do pomar,
se quer ver o amado conde que o vão a degolar.
Maldita sejas, Francisca, fora o leite que mamaste,
que morte tão cruel tu, Francisca, lhe causaste.
Cale-se lá, minha mãe, que bem se podia calar;
a morte que o conde leva devia-a você levar.