Conde Alemán v7

IGR: 0095. Versión: 7. Rima: estróf.. Hemistiquios 34.

Bragança (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Estando eu no meu tear    a tecer seda amarela,
passa o conde da Alemanha,    três fios me tirou dela.
Venha vindo ó meu pai,    boa seja a sua vinda,
hei-de-lhe contar um conto,    um conto de maravilha.
Estando eu no meu tear    a tecer seda amarela,
passa o conde da Alemanha,    três fios me tirou dela.
Cala-te, ó minha filha,    que te não ouçam falar:
é o conde da Alemanha,    menino que quer brincar.
Maldito sejam os seus brincos    e o seu doce brincar;
agarrou-me em seus braços,    à cama me quis levar.
Se é isso, minha filha,    eu o mando já matar.
Venha vindo, minha mãe,    à janela do pomar,
se quer ver o amado conde    que o vão a degolar.
Maldita sejas, Francisca,    fora o leite que mamaste,
que morte tão cruel tu,    Francisca, lhe causaste.
Cale-se lá, minha mãe,    que bem se podia calar;
a morte que o conde leva    devia-a você levar.

Bibliografía:
Recogida por José Furtado Montanha, 1935. Publicada en Alves 1938, (reed. facs. 1979) 564-565. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 785, p. 15. © Fundação Calouste Gulbenkian.