Veneno de Moriana v27

IGR: 0172. Versión: 27. Rima: á+í-o. Hemistiquios 22.

Alfeião (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Apeia-te, ó cavaleiro,    dara-t` eu de merendar.
Que tens tu, ó Dona Ausénia,    guardado para me dar?
Tenho vinho de sete anos    para to dar a provar.
Bota cá um copo dele,    que me quero refrescar.
Cavaleiro bebeu o vinho,    começou a desmaiar.
Que le botaste `ó vinho,    que me fezo tanto mal?
Camisinha de queobra,    pós de lagarto moído.
Coitado do meu pai velho,    que já está sem no seu filho,
coitada de Dona Ausénia,    que também está sem no seu marido.
Morre, morre, cavaleiro,    acaba já de expirar,
que eu `inda tenho dinheiro    para a tua morte pagar.

Bibliografía:
Recitada por el tío Orvalho. Recogida por Hermilo Branco Ramalhete, antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 111-112, nº 547. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1006, pp. 223-224. © Fundação Calouste Gulbenkian.