Una fatal ocasión v26

IGR: 0232. Versión: 26. Rima: í-a. Hemistiquios 36.

Mogadouro s. l. (c. Mogadouro, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Oh que linda rosa branca    naqueles vales se passeia!
Leva touca valenciana,    vai em traje de romeira,
sua saia leva baixa,    as flores lhe descobria;
cavalheiro vai atrás dela,    alcançá-la não podia.
Alcançou-a descansando    ao pé duma fonte d` água fria.
Deus guarde a donzela,    Deus guarde a menina.
Deus guarde o cavalheiro    mais a sua fantasia.
O maldito cavalheiro    de amores a pretendia.
Ela, como discreta,    disse-lhe que o não queria.
Agarram-se de braço a braço,    era aquele que mais podia.
A donzela, como mais fraca,    logo no chão caía;
meteu-lhe a mão no bolso,    tirou-lhe um punhal que trazia,
meteu-lho a um lado do peito    e no coração lhe entraria.
Peço-te eu, ó donzela,    por Deus e Santa Maria,
que não digas na tua terra,    nem te vás gabar à minha,
que mataste um cavalheiro    com armas que ele trazia.
Eu hei-de dizer na tua terra,    hei-de-me ir gabar à minha,
que matei um cavalheiro    com armas que ele trazia.
Oh que linda rosa branca    que naqueles vales vivia!

Otros datos:
Título original: A vingadora da sua honra.

Bibliografía:
Recitada por Maria Joaquina Dias (68a). Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 517. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1036, pp. 243-244. © Fundação Calouste Gulbenkian.