IGR: 0005+0075. Versión: 21. Rima: í-a+á-a. Hemistiquios 50.
Monte Gordo (c. Vila Real de Santo António, dist. Faro, Algarve, Portugal)
A Adelina há-de ser minha, és a minha namorada,
ê di ouro te vestia, ê de prata te calçava.
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Ê assub` àquela janela más alta qu` a torre tinha
dond` ê vejo a minha mana da janela da cozinha.
Dá-m` água, minha mana, dá-m` uma penguinha d` água.
Ê à fome na morria e à sede `stalava.
Daba t` água, minha mana, qu` ê a mim na me custava,
qu` ê à fome na morria mas à sede `stalava.
O malvado do nosso pai enté a água traz cerrada.
Ê subo outra janela más alta qu` a torre tinha,
ond` ê vejo o mê mano à janela da cozinha.
Dá-m` água, mê mano, dá-m` uma penguinha d` água,
ê à fome na morria mas à sede `stalava.
Daba-t` água minha mana, dá-m` uma penhinha d` água.
qu` ê à fome na morria mas à sede `stalava.
Dava-t` água minha filha, dava-t` uma pinguinha d` água,
o malvado do tê pai, enté a água tem cerrada.
Ê sub` a outra janela, más alta qu` a torre tinha,
ond` ê vej` o mê pai, à janela da cozinha.
Dá-m` água, ó mê pai, dá-m` uma pinguinha d` água.
Ê à fome na morria, mas à sede `stalava.
Fujem todos, ó mês criados, a dar água à m`nha filha,
o premer que lá chegar há-de casar com Adelina.
O premer que lá chegou foi o namorado constanti,
Adelina fech` os olhos a morrê daquel` stânti.
Notas del editor de RºPortTOM 2003: -14b penhinha (sic). Por se tratar de uma versão cuja transcrição tenta «representar» a fonética da área onde foi recolhida, optámos por apresentar, a seguir, uma fixação «normativa» da mesma, a fim de se tornar mais compreensível.