Señas del esposo v316

IGR: 0113. Versión: 316. Rima: á-a+í. Hemistiquios 91.

Portugal s. l. (Portugal)

Estando a bela Infanta    no seu jardim assentada,
deitou os olhos ao mar,    viu vir uma grande armada.
Cavalheiro que nela vindes,    que tão bem a comandava,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    dizei-me por vossa alma,
se um amor que Deus me deu    vem nessa grande armada.
Dizei-me a senhora    os sinais que ele levava.
Levava cavalo branco,    bandeira de guerra armada,
na ponta da sua lança    um Cristo de oiro levava.
Pelos sinais que a senhora me dá,    esse homem ficou morto,
com sete mil estocadas,    todas metidas no corpo.
Ai de mim, triste viúva!    Ai de mim, triste coitada!
Com três filhas que eu tenho,    sem nenhuma ser casada!
Uma meterei-a freira,    outra casarei-a eu,
outra ficará comigo    para mais descanso meu.
O que dareis, minha senhora,    a quem lo traga aqui?
Meus oiros, minhas pratas,    tudo em que minha casa achei.
Seus oiros, suas pratas, senhora,    não me competem a mim,
sou soldado, vou à guerra,    já não volto por aqui.
O que dareis, minha senhora,    a quem lo traga aqui?
As minhas tropas, meus cavalos,    tudo em que minha casa achei.
Suas tropas, seus cavalos, senhora,    não me competem a mim,
sou soldado, vou à guerra,    já não volto por aqui.
O que dareis, minha senhora,    a quem lo traga aqui?
De três moinhos que tenho,    dou-vos o melhorio,
um mói a bela canela,    outro o belo canelim,
outro mói a farinhita    que comia Dom Freirim.
Os vossos moinhos, senhora,    não me competem a mim,
sou soldado, vou à guerra,    já não volto por aqui.
O que dareis, minha senhora,    a quem lo traga aqui?
De três filhas que eu tenho    dou-vos a mais gentil,
uma borda ouro e prata,    outra assenta marfim,
outra bordava as camisinhas    que vestia Dom Freirim.
As vossas filhas, senhora,    não me competem a mim,
sou soldado, vou à guerra,    já não volto por aqui.
O que dareis, minha senhora,    a quem lo traga aqui?
Nem eu tenho mais que lhe dar,    nem o senhor que me pedir.
Só me dareis, minha senhora,    esse corpo tão gentil.
Apre lá com os homens    que tal chegam a pedir!
Levantem-se, meus vassalos,    levem-me esse homem daqui!
Atem-no ao rabo do meu cavalo,    à roda do meu jardim.
Os vossos vassalos não temo,    que vassalos são de mim.
Levantem-se, minhas filhas,    venham falar a Dom Freirim.
Ai, minha querida mulher!    Ai, minha mulher honrada!
Em tudo te experimentei,    em nada me foste falsa!
Se tu eras Dom Freirim,    para que falavas assim?
E o anel que partimos?    A minha metade ei-la aqui.
Nota del editor de Rº PortTOM 2000: O autor indica apenas «Vimeiro» como lugar de origem, não especificando o concelho.    

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogida en 1887. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 389-390. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 443, 131-133. © Fundação Calouste Gulbenkian.