IGR: 0113. Versión: 291. Rima: á-a+estróf.. Hemistiquios 74.
Alguber (c. Cadaval, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)
Estando a dona Infanta no seu jardim sentada,
seu pente de ouro na mão, seus cabelos penteados.
Deitou os olhos ao mar, viu uma linda armada,
capitão que nela vinha tão bem na governava!
Dizei, meu capitão, dizei, pela sua alma,
se o homem que Deus me deu vem nessa sua linda armada.
Não o vi, não o conheço, não sei que sinais levava.
Levava cavalo branco, com um selo amarelo,
na ponta da sua lança, uma bandeira de guerra.
Pelos sinais que vós me dais, lá o vi na guerra, morto,
com setenta navalhadas, todas metidas no corpo,
a mais pequena que tinha era a cabeça cortada.
Ai, triste de mim, viúva! Ai, triste de mim, coitada!
Três filhas que tenho, sem nenhuma ser casada!
Assim morto, como estava, quem mo dera ver aqui.
O que dareis vós, senhora, a quem o trouxera aqui?
Sou soldado, vou para a guerra, não persisto por aqui.
Três moinhos que eu tenho, todos três te hei-de dar a ti:
um de moer canela, outro de moer café,
outro, de moer farinha, que hoje o rei ma mandou aqui.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
As telhas do meu telhado são de ouro e marfim.
Eu não quero as vossas telhas que não me pertencem a mim.
Que dareis vós, senhora, a quem o trouxera aqui?
Sou soldado, vou para a guerra, não persisto por aqui.
A prata do meu caixil, toda te eu dera a ti.
Sou soldado, vou para a guerra, não persisto por aqui.
Não tenho mais que vos dar, nem vós mais que me pedir.
Para que quer você esse corpo tão gentil?
Cavalheiro que tal diz merece bem castigado,
ao rabo do meu cavalo, à roda do meu arado.
Acudam-me aqui, criados, acudam-me aqui a mim.
Não temo os vossos criados, pois criados são de mim,
não temo o teu marido, pois o tens ao pé de ti.
Pois se tu és o meu marido, para que zombas de mim?
Para ver a amizade que tu me tinhas a mim.
Meu anel de sete pedras que eu pelo meio parti?
Que é dela a tua metade? A minha, ei-la aqui.