Señas del esposo v288

IGR: 0113. Versión: 288. Rima: á-a+í. Hemistiquios 92.

Caldas da Rainha (c. Caldas da Rainha, dist. Leiria, Beira Litoral, Portugal)

`Stando a bela Infanta    no seu jardim assentada,
seu pente d` oiro na mão,    seu cabelo penteava.
Deitando os olhos ao mar,    viu vir uma linda armada,
capitão que nela vinha    trazia-a tão bem guiada!
Diz-me, ó meu capitão,    diz-me tu, pela tua alma,
se o marido que Deus me deu    aí vem nessa tua armada.
Nem no vi, nem no conheço,    nem sei que sinais levava.
Levava cavalo branco,    cavalo branco levava,
na ponta da sua setra    sinais de guerra levava.
Pelos sinais que me dá,    lá o vi na guerra morto,
com vinte e cinco facadas,    eram vinte e cinco feridas,
a mais pequena delas todas    era a cabeça partida.
Ai, triste de mim, viúva!    Ai, triste de mim, coitada!
De três filhas que eu tenho,    sem nenhuma ser casada!
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vos trouxera aqui?
Três moinhos que tenho,    todos três tos dera a ti:
um é de moer canela,    outro de moer marfim,
outro de moer farinha,    no dia em que me arrecebi.
Não quero os vossos moinhos,    ue não me compete a mim,
sou soldado, vou à guerra,    não persisto por aqui.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vos trouxera aqui?
As telhas do meu telhado,    eu as d` oiro tas daria.
Não quero as vossas telhas,    que não me compete a mim,
sou soldado, vou à guerra,    não persisto por aqui.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vos trouxera aqui?
Três filhas que eu tenho,    todas três tas dera a ti:
uma para te calçar, outra    para te vestir,
a mais bonita delas    todas para contigo dormir.
Não quero as vossas filhas,    que não me compete a mim,
sou soldado, vou à guerra,    não persisto por aqui.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vos trouxera aqui?
Não tenho mais que te dar,    nem tu mais que me pedir.
Dará`-me o vosso corpo, senhora,    o seu corpo tão gentil.
Cavalheiro que tanto pede,    que tanto chega a pedir,
merece correr a forca à roda,    `ò rabo do meu seguil.
Descei, criados, descei,    descei, matai-o já aqui!
Não desçam, criados, não desçam,    pois criados são de mim.
O anel de sete pedras    que eu contigo reparti?
Mostra-me a tua ametade    que eu contigo reparti,
mostra-me a tua ametade,    que a minha está aqui.
Se tu era-lo meu marido,    p`ra que zombavas de mi?
Eu não era por zombar,    nem eu tanto zombaria,
era para exp`rimentar    a prenda que tinha em mi.
A metade do teu anel,    que da tua mão recebi,
caiu-me no tãique    quando chorava por ti.
Desçam, criados, desçam,    procurai-o já aqui.

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 377-379. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 415, pp. 101-103. © Fundação Calouste Gulbenkian.