Señas del esposo v264

IGR: 0113. Versión: 264. Rima: á-a+í. Hemistiquios 64.

Lajeosa (c. Celorico da Beira, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

`Stando dona Filomena    no seu jardim assentada,
com pentem d` oiro na mão    seu cabelo penteava.
Deitou os olhos inzela,    viu vir uma linda armada.
Capitão que nela vinha,    oh que tão bem a guiava!
Que novas me dais, cavalheiro,    do marido que eu perdi?
Que novas vos darei, senhora,    s` eu nunca o conheci?
Dai-me cá os sinais dele    para vos dizer que sim.
Levava cavalo branco    e sobre-sela dourada,
no cimo da sua sela    um selim d` ouro levava.
Pelos sinais que me vós dais,    lá o vi ficar na armada,
com vinte e cinco facadas    e a cabeça cortada.
Deixa-me ir por aqui abaixo    chamando-me triste viúva,
quem m` a mim ouvir chorar,    chama-me pobre sem ventura.
Quanto dais vós, ó senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
De três filhas que eu tenho    a melhor era para si.
Não quero a vossa filha,    que me não pertence a mim,
sou capitão, vou p`r`à guerra,    não existo por aqui.
Quanto dais mais, ó senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
De três moinhos que eu tenho,    moer ouro, prata e marfim,
aquele que o senhor quisesse,    o melhor era para si.
Não quero os vossos moinhos,    que me não pertencem a mim,
sou capitão, vou p`r`à guerra,    não existo por aqui.
Quanto dais mais, ó senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
Não tenho mais que lhe dar,    nem o senhor que me pedir.
`Inda tem mais que me dar    e eu à senhora que lhe pedir.
O que eu queria de você    é o seu corpinho gentil.
Magano, que tanto pede,    p`r`à guerra o veja ir!
à roda dos meus cavalos,    que se não possa sutir
Ala, ala, meus criados,    vinde suverter aqui,
vinde ver os meus cavalos    à roda do meu jardim!
O anel das sete pedras    foi partido no jardim,
mostra-me a tua ametade,    pois a minha vê-l` aqui.

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recitada por una mujer (47a). Recogida en 1930. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 374-375. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 391, pp. 75-76. © Fundação Calouste Gulbenkian.