Señas del esposo v233

IGR: 0113. Versión: 233. Rima: á-a+í. Hemistiquios 63.

Guimarães (c. Guimarães, dist. Braga, Minho, Portugal)

`Stando dona Claralinda    no seu jardim assentada,
com pente d` ouro na mão    seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar,    viu vir uma linda armada,
o capitão que a trazia,    trazia-a bem guiada.
De todos que por aqui passam    ninguém me dá sinais,
dum amor que já perdi    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
Como l` hão-de dar sinais    sem saber o que ele luvava?
Luvava cavalo branco,    banda de retroz vermelho.
Esse homem é morto,    é morto que eu bem o vi.
Ai de mim, triste viúva,    ai de mim, triste, coitada!
Até `gora fui senhora,    agora serei criada.
Q`anto dais vós, senhora,    a quem ve-lo traga aqui?
Darei-vos ouro e prata,    que pese mais que a mim.
Num quero o vosso ouro    que me não pertence a mim.
-Q`anto dais vós, senhora,    a quem ve-lo traga aqui?
De três filhas que tenho,    `scolhereis a mais gentil.
Num quero as vossas filhas    que me não pertencem a mim.
Q`anto dais vós, senhora,    a quem ve-lo traga aqui?
De três cavalos que tenho,    `scolhereis um para si:
um é Dom Sebastiõu,    outro é Dom Serafim,
outro faz a sentinela    à porta do meu jardim.
Num quero os vossos cavalos    que me não pertencem a mim.
Q`anto dais vós, senhora,    a quem ve-lo traga aqui?
Não tenho mais que vos dar,    nem vós mais que me pedir.
Dai vosso corpo, senhora,    dai vosso corpo gentil.
Vá-se daqui, ó magano,    não queira zombar de mim,
que não venham meus cunhados    que o vão encontrar aqui!
Deve ser achicotado,    cavalheiro que tal coisa diz,
ao rabo do meu cavalo,    derredor do meu jardim.
Eu não temo os seus cunhados    que irmão são de mie.
Qu` é do anel de nove pedras    que eu consigo reparti?
Mostre-m` a sua ametade,    pois a minha ei-la aqui.
Nota del editor de Rº PortTOM 2000: -28b que tal [coisa] diz : Leite (1958) inserta corchetes.    

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recitada por una vieja. Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 337-338. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 360, pp. 42-43. © Fundação Calouste Gulbenkian.