Señas del esposo v230

IGR: 0113. Versión: 230. Rima: á-a+í. Hemistiquios 87.

Alvações do Corgo (c. Santa Marta de Penaguião, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

`Stando dona Clarinda    no seu jardim assentada,
com pente d` ouro na mão    seu cabelo penteava.
Deitou os olhos ao mar,    lá viu vir a linda armada,
capitão que nela vinha,    oh que tão bem na guiava!
Diga-me, ó senhor capitão,    se por lá viu meu marido.
Nem no vi, nem no conheço,    nem sei que sinais levava.
Os sinais que ele levava,    eu lhos vou dizer já aqui:
luvava cavalo branco,    cavalo branco luvava,
e por cima do cavalo    uma colcha encarnada,
ora por cima da colcha    a cruz de Cristo levava.
Pelos sinais que me dais,    lá o vi morto na armada,
por baixo do lírio roxo    todo cheio de estocadas,
a mais piquena delas todas    era a cabeça cortada.
Oh triste de mim, viúva!    Oh triste de mim, coitada!
De três filhas que eu tenho    só uma será casada,
oitra meterei a freira,    oitra ficará em casa.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
Dou-vos um cavalo branco,    para na praça passear.
Não quero vosso cavalo,    que vos custou a criar.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
De três moinhos que eu tenho    todos três são para ti,
um mói oiro, oitro prata,    oitro aijo de marfim.
Não quero vossos moinhos,    que me não pertence a mim.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
Dou-vos um tanto dinheiro    quanto vós soubés contar.
Não quero o vosso dinheiro,    que vos custou a ganhar.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
De três filhas que eu tenho,    todas três são para ti,
uma para vos vestir,    oitra para vos calçar,
a mais bonita delas    todas para convosco casar.
Não quero as vossas filhas,    que vos custou a criar.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traz aqui?
Não tenho mais que lhe oferecer,    nem vós mais que me pedires.
Essa mãozinha de prata,    esse corpinho gentil…
Cavalheiro que tal diz,    ou que tal chega a dizer,
merecia ser arrastado    ao rabo do meu cavalo,
à roda do meu jardim.    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
Alembra-vos vós, senhora,    uma noite de tanto vento,
qu` eu estive desmaiado    nos seus braços tanto tempo?
Alembra-vos vós, senhora,    uma noite de luar,
um anel de sete pedras    qu` eu convosco reparti?
Mostrai-m` a voss` ametade,    qu` a minha verei-la aqui.
Abram-m` as portas fronhas,    vou passear a jardim,
perguntar aos meus criados,    a ver s` isso será assim.
Variante: -10b pintada.    

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recitada por una vieja. Recogida en 1902. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 355-357. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 357, pp. 40-41. © Fundação Calouste Gulbenkian.