IGR: 0113. Versión: 199. Rima: á-a+í. Hemistiquios 68.
Rio de Onor (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
`Stando a bela em armada no seu jardim assentada,
com pentes de ouro na mão seu cabelo penteava.
Deitou os olhos `ò mar, viu vir a grande armada.
Diz-me tu, ó capitão, dize-me pela tua alma,
o marido que Deus me deu se vem na tua armada.
Nem no vi, nem no conheço, nem sei que sinais levava.
Levava cavalo branco, sela de prata dourada,
na ponta da sua lança, um Santo Cristo levava.
Esse home`, ó mulher, morto ficou na batalha,
com vinte e cinco feridas e outras tantas estocadas.
Ai de mim, triste viúva!, ai de mim, triste coitada!
Algum dia era infanta, agora sou desgraçada!
Quanto dais, ó bela infanta, a quem vo-lo traz aqui?
Darei-vos tanto dinheiro quanto podereis contar.
Não quero o vosso dinheiro, que vos custou a ganhar,
quanto dais mais, bela infanta, a quem vo-lo traz aqui?
As telhas do meu telhado que são d` ouro e marfim.
Não quero as vossas telhas que não me pertencem a mim,
sou soldado vou p`r`à guerra, não persisto por aqui.
Quanto dais mais, bela infanta, a quem vo-lo traz aqui?
De três filhas qu` eu tenho todas três vo-las dava.
Não quero as vossas filhas que vos custaram a criar.
Uma é para vos calçar, outra p`ra vos vestir,
a mais pequena delas p`ra convosco dormir.
Quanto dais mais, bela infanta, a quem vo-lo traz aqui?
Não tenho mais que vos dar, nem vós mais que me pedir.
Ainda tendes mais que dar e eu mais que pedir:
esse corpinho bem feito, p`ra convosco dormir.
Acudi, moços e moças, acudi todos aqui,
a fazer a jaquetada, `ò redor do meu jardim.
Não chames pelos teus moços que criados são de mim.
Pois, s` eles são teus criados, porque me tratas assim?
Onde `stá o anel de ouro que contigo reparti?
Onde `stá a tua metade, pois a minha vê-la aqui.
Nota del editor de Rº PortTOM 2000: Editamos Leite (1958).