IGR: 0173. Versión: 74. Rima: 6+6 á-a+é-o. Hemistiquios 60.
Mondim da Beira (c. Tarouca, dist. Viseu, Beira Alta, Portugal)
Estando à minha porta cosendo na minha almofada,
com agulha de oiro e com dedal de prata,
passou um cavalheiro e pediu pousada.
Se meu pai lha dera, estava bem dada;
deu-lha minha mãe, por ser confiada.
Pela noite adiante, Iria furtada;
por aquelas serras triste vida passava.
Chegou a um sítio, ali lhe perguntou
[. . . . . . . . . . . .] como se chamava
e ela lhe respondeu: [. . . . . . . . . . . .]
Em casa de meu pai, Iria fidalga,
por estas montanhas, triste desgraçada.
Por aquelas palavras ali a matou,
[. . . . . . . . . . . .] ali a degolou;
coberta de tojos ali a deixou.
Daí por sete anos por ali passou,
perguntou aos pastorinhos que ermida era aquela.
Eles lhe disseram: [. . . . . . . . . . . .]
É de Santa Iria, que um traidor matou;
coberta de rosas ali a deixou.
Ó Santa Iria, meu amor primeiro,
perdoa-me tu, serei teu romeiro.
Como te hei-de perdoar, algoz carniceiro,
se me degolaste como a um cordeiro?
Ó Santa Iria, meu amor primeiro,
dá-me tu saúde ao meu braço direito.
Como ta hei-de dar, algoz carniceiro,
se me tu mataste como a um carneiro?
Ó Santa Iria, meu amor primeiro,
perdoa-me tu, serei teu romeiro.
Veste-te de azul, que é cor do céu;
se Deus te perdoar, perdoar-te quero.
Nota del editor de RºPortTOM 2000: Editamos Leite 1886a, devido a lacuna provocada por homoioteleuton em Leite 1958-1960, II.
Variantes: -2a com agulhas (1960); -2a ouro (1881 e 1938, pp. 1002-1004); -2b didal (1881 e 1938, pp. 1002-1004); -3a cavaleiro (1881 e 1938, pp. 1002-1004). -10a omite lhe (1960); -13a aquela palavra (1881 e 1938, pp. 1002-1004). -16a Daí a sete (1881 e 1938, pp. 1002-1004). -18a lhes [sic] disseram (1881); omite os versos 24 a 27 (Leite 1958-1960, II); omite -27b (1881 e 1938, pp. 1002-1004); -28b se tu me (1881, 1938, pp. 1002-1004 e Leite 1958-1960, II.