IGR: 0173. Versión: 70. Rima: 6+6 á-a+é-o. Hemistiquios 44.
Armamar (c. Armamar, dist. Viseu, Beira Alta, Portugal)
Estando eu a coser na minha almofada,
minha agulha d` ouro, meu dedal de prata,
passou um passageiro pedindo pousada.
Meu pai tão bô` era que tudo lhe dava.
Lá p`r` à meia-noite me achei roubada.
Três léguas andadas sem me darem fala;
indo para as quatro que me proguntaram:
Tu, na tua terra, como te chamavas?
Eu, na minha terra, Iria estimada;
por estas montanhas vou ser desgraçada.
Palavra que destes vais ser degolada;
entre dois penedos serás enterrada.
Bela pastorinha, que gado guardais,
que ermida é aquela que além avistais?
É Santa Iria, bem-aventurada,
matou-a o tirano, morreu degolada.
Iria, Iria, meu amor primeiro,
perdoa-me tudo, serei teu romeiro.
Como t` hei-de perdoar, meu ladrão carniceiro,
se da minha garganta fizestes um carneiro?
Veste-te de luto, sobe `ò deserto,
se Deus te perdoar, perdoar-te quero.