Santa Irene v70

IGR: 0173. Versión: 70. Rima: 6+6 á-a+é-o. Hemistiquios 44.

Armamar (c. Armamar, dist. Viseu, Beira Alta, Portugal)

Estando eu a coser    na minha almofada,
minha agulha d` ouro,    meu dedal de prata,
passou um passageiro    pedindo pousada.
Meu pai tão bô` era    que tudo lhe dava.
Lá p`r` à meia-noite    me achei roubada.
Três léguas andadas    sem me darem fala;
indo para as quatro    que me proguntaram:
Tu, na tua terra,    como te chamavas?
Eu, na minha terra,    Iria estimada;
por estas montanhas    vou ser desgraçada.
Palavra que destes    vais ser degolada;
entre dois penedos    serás enterrada.
Bela pastorinha,    que gado guardais,
que ermida é aquela    que além avistais?
É Santa Iria,    bem-aventurada,
matou-a o tirano,    morreu degolada.
Iria, Iria,    meu amor primeiro,
perdoa-me tudo,    serei teu romeiro.
Como t` hei-de perdoar,    meu ladrão carniceiro,
se da minha garganta    fizestes um carneiro?
Veste-te de luto,    sobe `ò deserto,
se Deus te perdoar,    perdoar-te quero.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 21-22. Reeditada en RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1551, pp. 293-294. © Fundação Calouste Gulbenkian.