IGR: 2969. Versión: 1. Rima: acum.. Hemistiquios 68.
Madeira s. l. (Madeira, Portugal)
Ó meu formoso menino, vossas graças vou cantar,
com amor e alegria, junto, aqui, do vosso altar.
Vossa beleza, menino, igual não teve no mundo,
assim como vosso amor também não teve segundo.
Essa vossa cabecinha bem me parece um boquet
feito de cravos e rosas, tão benfeitinha que é.
Vosso cabelos loirinhos são da cor do oiro antigo;
fazem cadeias de anéis para vos unirdes comigo.
Vossa fronte eu comparo ao cristal, à neve pura,
céu azul sem uma nuvem, manhã cheia de frescura.
Vosso olhinhos de amor são dois ninhos de ternura;
oh sim! volvei-os p`ra mim nas horas da desventura.
Essa boca pequenina é botãozinho entre-aberto;
para lhe dar beijos mil tudo daria por certo.
Os vossos beicinhos são duas fitas de escarlate
onde está um coração que por nosso amor só bate.
Vosso sorrir, oh que encanto, que doçura e piedade!
Oh, guardai um para mim, p`ra horas de inf`licidade.
Vossas faces são da cor da linda romã partida;
quem me dera acarinhá-las sempre, sempre, toda a vida!
Esse vosso narizinho torneadinho a primor,
exala cheiro tão puro, é cheiro do vosso amor.
Dois botõezinhos de rosa vossas orelhinhas são;
na hora da minha morte atendam minha oração.
Esse vosso pescocinho feito de anéis e brancura,
será ele o meu ânimo nos momentos d` amargura.
Vosso peito, meu menino, é um jardinzinho em flor;
nunca o mundo e o pecado me afastem do vosso amor.
Vosso pézinhos, menino, lembram pézinhos de fada;
dai passinhos para mim se me virdes desgraçada.
Vosso corpinho é um mimo de doce graça e frescura;
não fosse ele talhadinho por Deus numa Virgem Pura.
Que este lindo retrato que acabamos de cantar
faça o nosso coração do vosso amor se abrasar.