Nao Catarineta v30

IGR: 0457. Versión: 30. Rima: á. Hemistiquios 40.

Portugal s. l. (Portugal)

Lá vem a nau Caterneta,    que me tem que contar.
Sete anos e um dia    sobre as águas do mar,
já não tinham que comer,    nem tão-pouco que manjar,
deitaram sola de molho    p`ra no domingo jantar;
a sola estava tão dura,    não a puderam tragar.
Deitam sortes à ventura    qual haviam de matar,
a sorte caiu em preto    no tenente-general.
Sobe, gajeiro, assobe    àquele mastro real;
vê se vês terras de Espanha,    areias de Portugal.
Palavras não eram ditas,    gajeiro caiu ao mar,
por milagre de Maria,    gajeiro tornou ao ar.
Já vejo terras de Espanha    e areias de Portugal;
também vejo três meninas    debaixo dum laranjal.
Todas três são minhas filhas,    todas três tas hei-de dar:
uma para te vestir,    outra para te calçar,
a mais bonitinha delas    para contigo casar.
Não quero as vossas filhas,    que lhe custa a criar,
quero a nau Caterneta    para no mar navegar.
Nau Caterneta não ta dou,    que é d` el-rei de Portugal,
quando chegar a Lisboa    logo lha vou entregar.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 520. Reeditada en RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1681, pp. 398-399. © Fundação Calouste Gulbenkian.