Muerte del príncipe don Juan v39

IGR: 0006. Versión: 39. Rima: á-a. Hemistiquios 44.

Nuzedo de Cima (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Tristes novas me vieram    lá dos lados da Espanha:
Estava Dom João à morte,    deitado na sua cama.
Mandaram vir tres doutores    dos melhores que havia em Braga
e diziam uns para os outros:    Isto não há-de ser nada.
E diga o mais entendido,    diga lá uma palavra.
Ele tem três horas de vida    e uma já vai acabada.
Estando eles nesta convasa,    seu pai a porta entrara.
E que é isto, ó meu filho,    retrato da minha cara?
S` estás em passos de morte,    eu só te peço u~a palavra:
É se tu deixas neste mundo    alguma menina enganada.
Eu deixo Dona Isabel,    há tantos anos enganada
mas já lhe deixo vinte contos    para essa desgracada.
Mas que é isso, ó meu filho?    `Inda isso não é nada
que a honra duma menina    nem com quanto há se paga.
Eu já lhe deixo mais corenta    para essa desgracada
p`ra que diga o mundo todo:    «Essa não precisa nada».
Que é isso, ó meu filho?    `Inda isso não é nada;
e a honra duma menina    só c` o corpo é que se paga.
Se eu desta cama m` aguere,    não é preciso mais nada
que no altar daquela igreja    há-de ser minha esposada.
Lá vai Dona Isabel    toda cheia de ternura
a acompanhar Dom João,    que se vai p`r`à sepultura.

Otros datos:
Nota: Foi informadora do P.e Firmino Martins.

Bibliografía:
Recitada por Florinda dos Santos Rodrigues (63a). Recogida por Manuel da Costa Fontes y Maria-João Câmara Fontes, 1980. (Archivo: ASF; Colec.: Fontes TM 1980; cinta: 31A750). Publicada en Costa Fontes 1987c, I, pp. 45-46, nº 70.