Muerte del príncipe don Juan v205

IGR: 0006. Versión: 205. Rima: á-a. Hemistiquios 60.

Gimonde (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Tristes novas me vieram    lá do centro da Espanha,
estava Dom João doente,    com uma doença de cama.
Chamaram sete doutores,    cada um de sua banda,
trës horas lhe deram de vida,    e uma já vai passada,
e outra para se confessar,    para salvar a sua alma.
Chamou a mãe à cabeceira,    pediu-lhe com muito favor:
Não posso dar alma a Deus,    sem me despedir do amor.
A mãe, como nada sabia,    precurou-lhe onde morava,
e ele tudo lhe disse,    até como se chamava.
Se deves alguma coisa    a alguma menina honrada.
Devo a Dona Isabel    que de mim fica embaraçada.
Adopta tu o meu filho    para que fique casada.
Deixo-lhe duzentos mil réis    para essa desgraçada.
Isso é pouco, meu filho,    para uma menina honrada.
Lá deixo outros duzentos    para a mesma desgraçada.
Estando eles nestas razões,    Dona Isabel chegava.
Donde vens, Dona Isabel,    retrato da minha alma?
Venho de pedir à Virgem    que te levantes dessa cama.
Se daqui me levantasse,    minha rosa encarnada,
vestia-te do ouro fino    e de prata galoada,
levaria-te eu à igreja,    trazia-te bem casada.
Não quero teu ouro fino,    nem tua prata galoada,
só quero que me digas    a quem fico entregada.
A teu pai e a tua mãe,    que os outros não te são nada.
Cortarei o meu cabelo,    cortarei a minha gala,
fico agora no mundo,    Dona Isabel desgraçada.
Não cortes o teu cabelo,    nem cortes a tua gala,
agora ficas, no mundo,    viúva sem ser casada.
Escutem todos, meus senhores,    a morte de Dom João,
que está para dar a alma a Deus,    a todos pede perdão.

Otros datos:
Título original: Morte do Príncipe Dom João.

Bibliografía:
Recogida por José Leite de Vasconcellos, 1935. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, p. 21-22, nº 8. Reeditada en Alvar 1971c, 182-183 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 6, pp. 135-136. © Fundação Calouste Gulbenkian.