Marinero al agua v64

IGR: 0180. Versión: 64. Rima: á-a. Hemistiquios 24.

Bragança s. l. (dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Gritos dava o marinheiro,    dava gritos, que se afundava.
Respondeu-le o mau demonho    d` altas torres onde estava.
Quanto deras tu, marinheiro?    Eu da água te tirara.
Dera-te um pouco d` ouro,    outro de prata lavrada.
Eu não quero o teu ouro,    nem tão-pouco a tua prata,
só quero, em te enterrando,    me deixes a tua alma.
Eu t` arrenego, mal demonho,    e mai` la tua palavra;
minha alma deixo a Deus    e mai` la Virgem Sagrada;
meu corpo deixo aos peixes    qu` andam na água salgada;
minha cabeça às formigas,    que nela façam morada;
minhas pernas deixo aos mancos,    que com elas deiam jornada;
minhas tripas deixo aos cegos    para cordas de guitarra.

Otros datos:
Nota: Geografia atribuída.

Bibliografía:
Recogido antes de 1907. Publicada en Rodrigues 1907, 381. Reeditada en Braga 1911-1913, 526-527; Lima 1954, 170-171; Rodrigues 1973, (reed. facs. 1981) 100-101 y RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1597, p. 335. © Fundação Calouste Gulbenkian.