Marinero al agua v59

IGR: 0180. Versión: 59. Rima: á-a. Hemistiquios 18.

Maçores (c. Torre de Moncorvo, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Gritos dava a marinheira,    gritos, que se afundava.
O diabo le respondeu    dum cabeço donde estava:
Quanto deras, marinheira,    quem das águas te tirara?
Dava-te um navio d` ouro    e outro de prata lavrada.
Não quero teu navio d` ouro,    nem o de prata lavrada,
quero, à hora da tua morte,    escritura da tua alma.
Oh, maldito sejas tu,    mai` la tua palavra.
Minha alma é de Deus,    mais da Virge` Sagrada;
meu corpo é dos peixes,    mais da água salgada.

Bibliografía:
Recogido antes de 1906. Publicada en Tavares 1906, 281. Reeditada en RGP III 1909, (reed. facs. Braga 1985) 317; Chaves 1943b, 135-136; Chaves 1948, 383-384; Lima 1954, 171-172; Redol 1964, 264 e Damião 1997, 95-96 y RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1592, pp. 332-333. © Fundação Calouste Gulbenkian.