Margarida de Atouguia v1

IGR: 2981. Versión: 1. Rima: estróf.. Hemistiquios 36.

Vinhais s. l. (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Cavaleiro, por quem sois,    pelo divino amor de Deus,
dai a esmola à triste cega    que cegou dos olhos seus.
Cavaleiro, que ouviu isto,    seu cavalo refreou,
pôs os olhos na ceguinha    e a pobreza o contristou.
De remendos e farrapos    todo era o seu trajar;
metera a mão em um bolso,    três peças lhe quisera dar.
Não quero esse dinheiro,    cavaleiro, na minha mão,
que podem assim, assim,    arreigar-me o coração.
Donde vindes, cavaleiro,    de tão longo viajar?
Novinhas do meu filho,    se vós mas viesses dar!
Novinhas do meu filho,    isso não é para ti;
há sete anos que ceguei    e há trinta que o não vi.
Dizei-me vós, ó ceguinha,    como é o vosso nome?
Margarida d` Atouguia,    mulher do capitão-mor.
Perdoai-me, ó minha mãe,    por vos eu não ter escrevido;
é porque me tinham dito    que vós já tinhais morrido.
Graças a Deus para sempre;    agora posso dizer
que abracei o meu filho    sem eu tal conta fazer.

Bibliografía:
Recogido antes de 1928. Publicada en Martins 1928, II, 58-59. Reeditada en Costa Fontes 1997b, Índice Temático (© HSA: HSMS), p. 355, X31.