IGR: 0192. Versión: 31. Rima: é-a. Hemistiquios 38.
Zeive (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
`Indas qu` eu venho da feira, não direi quem fica nela;
por aquele vale abaixo vai uma linda donzela;
baixou-s` o rei do palácio, baixou-s` a falar com ela:
Deus a guarde, senhora, Deus a guarde, donzela.
Bem mal parece a donzela andar tão soa na serra.
Mais mal pareceo rei baixar-s` a falar co` ela.
Fora-s` o rei p`r` ò palácio e mandara pôr a mesa,
cada bocado que comia, suspiros dava por ela.
Procurerum los criados, aque`is que mais amigos eru:
Os suspiros do nosso rei, os suspiros por quem eru?
É por uma donzela que sozinha fica na serra.
Diga-mos onde ficou, que nós iremos por ela.
A sombra da oliveira, acharei-la descansando,
nim por ouro, nim por prata, vós nu vos vinhais sem ela!
Deus vos guarde, senhora, Deus a guarde, donzela.
Esta é a donzela qu` el-rei nos mandou por ela,
que nim por oiro, nim por prata, vos não vos venhais sem ela.
Dezei, criados, `ò rei, que le manda dezer ela
que, s` ele é rei do` seus vassalos, eu sou do céu e da terra.