La Virgen romera v31

IGR: 0192. Versión: 31. Rima: é-a. Hemistiquios 38.

Zeive (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

`Indas qu` eu venho da feira,    não direi quem fica nela;
por aquele vale abaixo    vai uma linda donzela;
baixou-s` o rei do palácio,    baixou-s` a falar com ela:
Deus a guarde, senhora,    Deus a guarde, donzela.
Bem mal parece a donzela    andar tão soa na serra.
Mais mal pareceo rei    baixar-s` a falar co` ela.
Fora-s` o rei p`r` ò palácio    e mandara pôr a mesa,
cada bocado que comia,    suspiros dava por ela.
Procurerum los criados,    aque`is que mais amigos eru:
Os suspiros do nosso rei,    os suspiros por quem eru?
É por uma donzela    que sozinha fica na serra.
Diga-mos onde ficou,    que nós iremos por ela.
A sombra da oliveira,    acharei-la descansando,
nim por ouro, nim por prata,    vós nu vos vinhais sem ela!
Deus vos guarde, senhora,    Deus a guarde, donzela.
Esta é a donzela    qu` el-rei nos mandou por ela,
que nim por oiro, nim por prata,    vos não vos venhais sem ela.
Dezei, criados, `ò rei,    que le manda dezer ela
que, s` ele é rei do` seus vassalos,    eu sou do céu e da terra.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 325. Reeditada en RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1606, p. 340. © Fundação Calouste Gulbenkian.