IGR: 0192. Versión: 17. Rima: é-a. Hemistiquios 40.
Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Portugal)
Oh que linda rosa branca naquele claro passeia!
El-rei estava à janela, logo se namorou dela.
Mal parece uma menina andar só por esta terra.
Mais mal parece a el-rei baixar-se a falar com ela,
mas eu não venho sozinha, meu marido atrás queda.
Voltou el-rei p`r`ò palácio, nem comera nem bebera.
Que tendes, ó senhor rei, que tão agonizado `stivera?
É por aquela menina que naquele claro queda.
Alto, alto, meus criados, ide-me cá em busca dela!
Nem por ouro nem por prata, não vos venhais cá sem ela.
Correram doze mil léguas sem acharem a donzela;
acharam-na penteando debaixo de uma oliveira.
Co`o lustre do seu cabelo a oliveira amadurera
e com a luz dos seus olhos todo o mundo esclarecera.
Deus a guarde, ó menina, Deus a guarde, ó donzela.
Somos criados d` el-rei mandados a muita pressa:
nem por ouro nem por prata nos fôssemos lá sem ela.
Altos, criados d` el-rei, Deus vos leve à vossa terra!
Dizei lá ao vosso rei que não é quem el` cuidera.
S`ele é rei dos seus vassalos, eu sou do céu e da terra.
(VRP 810)
Nota del editor: Este romance constitui uma adaptação de As Ameias de Toro (A9) [Las almenas de Toro 0032].