La Virgen romera v17

IGR: 0192. Versión: 17. Rima: é-a. Hemistiquios 40.

Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Portugal)

Oh que linda rosa branca    naquele claro passeia!
El-rei estava à janela,    logo se namorou dela.
Mal parece uma menina    andar só por esta terra.
Mais mal parece a el-rei    baixar-se a falar com ela,
mas eu não venho sozinha,    meu marido atrás queda.
Voltou el-rei p`r`ò palácio,    nem comera nem bebera.
Que tendes, ó senhor rei,    que tão agonizado `stivera?
É por aquela menina    que naquele claro queda.
Alto, alto, meus criados,    ide-me cá em busca dela!
Nem por ouro nem por prata,    não vos venhais cá sem ela.
Correram doze mil léguas    sem acharem a donzela;
acharam-na penteando    debaixo de uma oliveira.
Co`o lustre do seu cabelo    a oliveira amadurera
e com a luz dos seus olhos    todo o mundo esclarecera.
Deus a guarde, ó menina,    Deus a guarde, ó donzela.
Somos criados d` el-rei    mandados a muita pressa:
nem por ouro nem por prata    nos fôssemos lá sem ela.
Altos, criados d` el-rei,    Deus vos leve à vossa terra!
Dizei lá ao vosso rei    que não é quem el` cuidera.
S`ele é rei dos seus vassalos,    eu sou do céu e da terra.
(VRP 810)    
Nota del editor: Este romance constitui uma adaptação de As Ameias de Toro (A9) [Las almenas de Toro 0032].    

Otros datos:
Título original: O REI E A VIRGEM MARIA (É-A).

Bibliografía:
Recogida por José Leite de Vasconcellos, antes de 1874. (Colec.: Leite de Vasconcellos). Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, RP, 810 (II. 324). Reeditada en Costa Fontes 1997b, Índice Temático (© HSA: HSMS), pp. 217-218, S6; Novas 1998, 25 y RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1605, pp. 339-340.