La serrana de la Vera v38

IGR: 0233. Versión: 38. Rima: é-a. Hemistiquios 34.

Matela (c. Vimioso, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Naquela serrica alta,    naquela mais alta serra,
anda lá uma serrana    que é o estrago desta terra.
O cabelo `estrançado,    parece uma mulher estrangeira;
com a espingarda ao ombro    parece uma caçadeira.
Dês` que lhe lembram os homes,    baixa para a ribeira.
Encontrou um pastorico    guardando as suas borregas.
Queres tu, bom pastorico,    vir comigo para a serra?
Muito fora eu, serrana,    se não foram as borregas.
Botou-se a brincar com el`,    até que adormeceram.
A serrana acordou,    o pastorico longe dela.
Atirou-le com uma arduinha    e rebolou-le a montera.
Aspera aí, pastorico,    que eu te guardo as borregas!
Tanta cruz, serrana,    tanta cruz nesta terra.
Duzentas mortes que eu fiz    e a ti só se não pudera.
Acuda aqui, senhor alcaide,    ao alto desta serra,
que esta maldita serrana    dá cabo desta terra!
Fugiu o senhor alcaide    com o medo que le teve a ela.
Notas de J. L. Vasconcellos: -9a el`: ele; -11a arduinha: pedra. Assim se lê no texto; -11b montera: gorro de peles; -12a aspera: Cf. vocabulário mirandês.    

Otros datos:
Nota: El editor imprime en cursiva: -1a serrica; -3a estrançado; -5a dês, homes; -6a, -7a, -10b y -12a pastorico; -9a botou; -11a le; -11b le montera; -12a aspera; -17b le.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 164-165. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1048, p. 252. © Fundação Calouste Gulbenkian.