IGR: 0233. Versión: 35. Rima: é-a. Hemistiquios 32.
Bragança s. l. (dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Naquela serra alta, naquela mais alta serra,
anda lá uma serraninha mais linda que a Primavera.
De espingarda às costas, a modo de caçadeira,
de cabelo entrançado, por cima uma monteira,
viu andar um pastorinho com o gado numa ribeira.
Queres tu, ó pastorinho, vir comigo para a serra?
O teu gado, pastorinho, eu to arresponsera.
Que é isto, serraninha, tanta cruz pela serra?
Sete homens tenho morto, e a ti, também, se eu quisera.
A serraninha fez a ceia, o pastorinho não ceera
A serraninha fez a cama; o pastorinho não se deitera.
Lá por meio da noite o pastorinho se raspera.
Acordou a serraninha, o pastorinho não achera;
quando foi a reparar, ia longe légua e meia.
Atirou-lhe uma fundada, raspou-lhe por uma orelha;
tornou-lhe a segundar, atirou com ela a terra.