IGR: 0233. Versión: 33. Rima: é-a. Hemistiquios 38.
Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Naquela serrinha alta, naquela mais alta serra,
nela mora uma serrana, formosa e ingrata era.
Seu cabelo entrançado, por cima rica monteira,
sua arma traz ao ombro, à moda de caçadeira.
Quando quer tomar amores, baixa abaixo à ribeira.
Avistou um pastorinho como gado numa lameira.
Queres tu vir, ó pastorinho, hoje comigo para a serra?
O meu gado, serraninha, a mim quem mo guardera?
O teu, ó pastorinho, eu to arresponsera.
Lá no meio do caminho o pastor lhe perguntara:
Que é isto, serraninha, tanta cruz por esta serra?
Todas são de homens mortos que eu por minha mão matera;
e a ti te farei o mesmo, se os meus gostos não fizeras.
Tanto brincaram de noite que de manhã se adormeceram.
Quando a serraninha acordou, já o pastor ia légua e meia.
Volta cá, ó pastorinho, cá te fica uma ovelha.
Eu, nem que ela fosse de ouro, eu por ela não volvera.
Atirou-lhe uma granada, derrubou-lhe uma orelha;
`inda lhe atirou mais outra, ao coração lha metera.
Los editores imprimen en cursiva: -8b guardera; -9b arresponsera; -12b matera.