La serrana de la Vera v33

IGR: 0233. Versión: 33. Rima: é-a. Hemistiquios 38.

Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Naquela serrinha alta,    naquela mais alta serra,
nela mora uma serrana,    formosa e ingrata era.
Seu cabelo entrançado,    por cima rica monteira,
sua arma traz ao ombro,    à moda de caçadeira.
Quando quer tomar amores,    baixa abaixo à ribeira.
Avistou um pastorinho    como gado numa lameira.
Queres tu vir, ó pastorinho,    hoje comigo para a serra?
O meu gado, serraninha,    a mim quem mo guardera?
O teu, ó pastorinho,    eu to arresponsera.
Lá no meio do caminho    o pastor lhe perguntara:
Que é isto, serraninha,    tanta cruz por esta serra?
Todas são de homens mortos    que eu por minha mão matera;
e a ti te farei o mesmo,    se os meus gostos não fizeras.
Tanto brincaram de noite    que de manhã se adormeceram.
Quando a serraninha acordou,    já o pastor ia légua e meia.
Volta cá, ó pastorinho,    cá te fica uma ovelha.
Eu, nem que ela fosse de ouro,    eu por ela não volvera.
Atirou-lhe uma granada,    derrubou-lhe uma orelha;
`inda lhe atirou mais outra,    ao coração lha metera.
Los editores imprimen en cursiva: -8b guardera; -9b arresponsera; -12b matera.    

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 160. Reeditada en Alvar 1971c, 253 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1043, pp. 248-249. © Fundação Calouste Gulbenkian.