La serrana de la Vera v101

IGR: 0233. Versión: 101. Rima: é-a. Hemistiquios 46.

Vale do Espinho (c. Valpaços, dist. Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal)

Naquela serrinha i-alta,    naquela mais alta serra,
anda lá uma serraninha    bem bonita que ela era,
filha dum homem casado,    paridinha duma égua;
com sua espingarda às costas,    como grande caçadeira.
Quando se alembra dos homens    desce abaixo à ribeira.
Encontrou um pastorinho    com o gado na lameira.
Queres tu, ó pastorinho,    subir comigo à serra?
Eu subia, Serraninha,    mas meu gado quem mo guardara?
Anda comigo, pastorinho,    teu gado eu responsara.
Juntaram ombro com ombro,    subiram os dois a serra.
De que são tantas cruzes    que aqui há nesta serra?
Duzentos homens matei,    a ti porque não quisera.
Estende lá, ó pastorinho,    estende aí tua mantela.
Serraninha deitou por baixo    e o pastor por cima dela;
um brincou, outro brincou,    Serraninha se adormecera.
Quando ela acordou    o pastor ia longe légua e meia.
Volta atrás, ó pastorinho,    vem buscar tua mantela!
Nem que ela fosse dourada,    eu atrás não ia por ela!
Ela atirou-lhe com uma pedra,    derrubou-lhe uma orelha;
e ele atirou-lhe com outra,    acertou-lhe na mantela.
Senhor juiz de paz,    faça justiça na terra,
p`ra prender a Serraninha,    que anda além naquela serra;
duzentos homens matou,    e a mim porque não pudera.
Nota del colector: – 9b responsara significa, según el informante, «que ficava responsável por ele» (pelo gado). Confróntese, sin embargo, la nota de Cortés Vázquez a una versión de Hermisende. (V. 55).    

Otros datos:
Nota: El recitador acota: tras -10 Pastorinho disse; tras -13 O pastor estendeu a mantela; tras 20 Depois fugiu.

Bibliografía:
Recitada por José Cunha (66a). Recogida por José Joaquim Dias Marques y Ana Catarina dos Santos, 1982. Publicada en Cardoso da Costa 2000, nº 82 (tesis doctoral). Reeditada en Petersen-Web 2005, Texto (transcrip. facilitada por Cardoso da Costa).