IGR: 0164+0100. Versión: 47. Rima: í-a. Hemistiquios 48.
Coura (c. Armamar, dist. Viseu., Beira Alta, Portugal)
Caçador que vai à caça, vai caçar à maravilha;
os seus perros le cansaram, qu` era o que ele mais sentia.
Anoiteceu-le num pinhal dos mais escuros que havia;
olhou para um pinheiro, lá viu estar uma menina.
O cabelo que ela tinha todo o corpo le cobria:
os olhos que ela tinha o pinhal esbrandecia.
Que fazeis aí, menina, que fazeis aí, mi` vida?
Sete anos me fadaram nos braços duma mãe minha,
hoje se acabam os sete, amanhã se acaba o dia.
Diga-me, se é cavalheiro: Leva-me em sua companhia?
Não me leve por esposa, nem tão-pouco por amiga,
leve-me por sua moça, que eu de graça o serviria.
Sete léguas são andadas e a menina sem se rir.
Diga-me ela, menina, diga-me de que se ri.
Nem me rio do cavalo, nem das ancas, nem das silhas,
rio-me do cavalheiro, de toda a sua covardia.
Tornemos atrás, menina, à fonte aonde bebemos,
lá me esqueceram as esporas, umas esporas de prata fina.
S` as esporas eram de prata, pois d` ouro eu las daria,
que na casa de meu pai rebate-se ouro cada dia.
Diga-me ela, menina, diga-me de quem é filha.
Sou filha do rei de Espanha, neta do rei de Castilha.
Leve o diabo os homens e quem se nas mulheres fia!
Cuidei que trazia uma esposa e trago uma mana minha.