IGR: 0164+0100. Versión: 40. Rima: í-a. Hemistiquios 36.
Foz do Douro (c. Porto, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)
Indo um cavaleiro à caça, à caça de altanaria,
lá chegando ao alvoredo viu estar uma donzila.
Que fazeis aí, senhora, que fazeis aqui, donzila?
Sete fadas me fadaram no ventre duma mãe minha,
de eu aqui estar sete anos, sete anos e mais um dia.
Sete anos são acabados, hoje se acaba o dia;
se quereis, ó cavaleiro, levai-me por companhia.
Não me leveis por senhora, não me leveis por donzila;
levai-me por estrangeira que achais na terra perdida.
Montai-vos aqui, senhora, montai-vos aqui, donzila,
ou nas ancas ou na sela, onde for mais honra minha.
Montou-se logo a donzela, foi seguindo o seu caminho;
lá chegando à estrada de risos o acometia.
De que se ri, ó menina, de que se ri, ó donzila?
Rio-me do cavaleiro e da sua cobardia,
de achar menina na serra e lhe guardar cortesia.
Deixai-me agora chorar, olhai a minha mofina!
Oh, quem perdeu o que eu perco grande pena merecia.