IGR: 0164+0100. Versión: 38. Rima: í-a. Hemistiquios 41.
Leça do Bailio (c. Matosinhos, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)
Estando donzela no monte, em cima do carvalhim,
e passou um passageiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Que fazeis aí, donzela, que fazeis aí, vidinha?
Duas freiras me infadaram nos braços de uma mãe minha,
que estivesse aqui sete anos, sete anos a mais um dia.
Hoje s` acabam os anos, amanhã se acaba o dia.
Desejava, cavalheiro, de ir na vossa companhia,
ou na sela, ou nas ancas, donde vai a cortesia.
Apegue-se às minhas ancas, já que a sela num é minha.
Lá por essa serra adiente, a donzela se serriu.
De que te rides, donzela, de que te rides, vidinha?
Rio-me do cavalheiro, mais da vossa cobrandia,
vê` la donzela no monte e g`ardar-l` a cortesia.
Tornamos atrás, donzela, tornamos atrás, vidinha,
que m` esqueceram nas espórias, na fonte adonde eu bubia.
Adiente, cavalheiro, qu` adiente vai a guia;
s` as suas eram de prata, d` oiro meu pai las daria,
que o meu pai contrasta em oiro, minha mãe em prata fina;
sou filha do rei de Espanha, mana desta sinhoria.
S. Pedro leve as mulheres, a mais quem se nelas fia;
pensei que levava madama e levo uma mana minha.