IGR: 0164+0100. Versión: 37. Rima: í-a. Hemistiquios 58.
Trás-os-Montes e Alto Douro s. l. (Trás-os-Montes, Portugal)
Alcançar vai cavaleiro, alcançar como o sol ia;
seus perros leva cansados e o falcão perdido ia.
Anoiteceu-lhe num ermo, ou numa perra moutinha;
arrumara-se a um roble, alto é na maravilha!
Quando foi a meia-noute deitou seus olhos acima;
vira estar uma donzela, vira estar uma menina.
Com o pente d` ouro na mão, seu cabelo pentear queria;
mas ela era tão linda, todo o roble esclarecia.
Que fazes aqui, donzela, que fazes aqui, menina?
Estou a cumprir um fado que deitou minha madrinha.
Vivi sete anos no ermo, sete anos e mais um dia;
hoje se acabam os sete e amanhã se acaba o dia.
Queres tu, boa donzela, vir na minha companhia?
Monta aqui no meu cavalo, ou na anca, ou na silha.
Na anca não, cavaleiro, que é grande descortesia,
na silha sim, cavaleiro, que é honra tua e minha.
Lá no meio do caminho a donzela se sorria.
De que te ris, ó donzela, de que te ris, ó menina?
Rio-me do cavaleiro, da sua galanteria;
achar menina no monte e guardar-lhe cortesia.
Volta atrás, ó meu cavalo, minha espora é perdida.
P`ra diante, cavaleiro, que é honra tua e minha.
Se a tua espora é de prata, meu pai d` ouro te daria.
E quem é esse teu pai que tanto ouro tenia?
Meu pai é o rei de França, minha mãe d` Alexandria.
Abra-me a porta, mi` madre, abra-ma com alegria.
Cuidei que trazia esposa e trago hermana mi`a!
Se tu trouxesses esposa grande dote te daria;
assim que trazes hermana três vezes te dobraria.