IGR: 0164+0100. Versión: 36. Rima: í-a. Hemistiquios 54.
Trás-os-Montes e Alto Douro s. l. (Trás-os-Montes, Portugal)
A caçar vai cavaleiro, a caçar como o sol ia;
seus perros leva cansados de andar de noute e de dia.
Anouteceu-lhe num ermo, lá numa escura montanha;
arrumara-se a uma sombra, formando uma maravilha.
Desde que veio por meia-noute, deitou seus olhos acima,
vira estar uma donzela, vira estar uma menina.
Que fazes aí, donzela, que fazes aí, menina?
Estou cumprindo uma promessa que me deitou minha madrinha:
que estivesse aqui sete anos, sete anos e mais um dia;
hoje se ultimam os anos e amanhã se acaba o dia.
Monte aqui no meu cavalo, ou na anca, ou na silha.
Na silha, não, cavaleiro, que é grande descortesia;
na anca, sim, cavaleiro, que é honra tua e minha.
Chegou ao meio da serra, a donzela se sorria.
Por que te ris, ó donzela, por que te ris, ó menina?
Rio-me do cavaleiro e mais da sua cobardia;
achou uma menina no monte e guardou-lhe cortesia.
Volta, volta, meu cavalo, minha espora vai perdida.
Adiante, adiante, cavaleiro, não uses da vilania,
se tua espora é de prata, meu pai d` ouro ta daria.
Quem é esse teu pai, ó donzela, que tanto ouro tenia?
Meu pai é rei de França, minha mãe é Cristaninha.
Pelas novas que vais dando, tu és uma irmã minha.
Abra-me as portas, meu pai, abra-mas com alegria,
pensei trazer minha mulher e trago-lhe mana minha.
Se trouxeres tua mulher grande dote te daria;
trazendo tua irmã, mil vezes to dobraria.