IGR: 0164+0100. Versión: 34. Rima: í-a. Hemistiquios 40.
Parada de Cunhos (c. Vila Real, dist. Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal)
Parou o cavaleiro junto da fonte ensombrada,
a dar de beber ao cavalo quando vinha da caçada.
Olhando para o arvoredo viu uma menina assentada.
Que fazes aí, menina, que fazes aí, mi` vida?
Estou a cumprir o meu fado de sete anos e um dia.
Se queres, menina, vir, levo-vos na minha companhia.
Os sete anos já findaram e hoje se finda o dia.
Tomou a donzela nos braços e a levou junto de si.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] De que vos rides, mi` vida?
Rio do cavaleiro e da sua bizarria,
que achou a menina só e lhe guarda cortesia.
Atrás, atrás, meu cavalo, que uma espora hei perdida.
Adiante, cavaleiro, não useis de tirania,
se vossa espora era de prata, meu pai d` oiro lha daria.
Quem era vosso pai, menina, que tanto oiro teria?
O meu pai é Dom João, minha mãe dona Maria.
Abram-se as portas do palácio, abram-se com toda a alegria!
Cuidei que trazia esposa e trago uma irmã minha.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] Acudiu Dom João com alegria:
Se é minha filha, venha a meus braços,
se é minha nora, passeia no palácio.