La Infantina+Caballero burlado v28

IGR: 0164+0100. Versión: 28. Rima: í-a. Hemistiquios 52.

Bragança s. l. (dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Alcançar vai cavaleiro,    alcançar com o sol ia;
seus perros leva cansados,    senhor falcão perdido ia;
escurecera-lhe no monte,    numa escura montanha;
recostou-se a um roble    dos mais altos que ali havia.
Quando foi por meia-noite,    seus olhos deitou acima;
viu lá uma donzela,    viu lá uma donzelinha;
com pentes de ouro na mão    ela pentear-se queria;
os olhos da sua cara légua    e meia relumbriam.
Que fazes aí, donzela,    que fazes aí, donzelinha?
Estou a cumprir uma fada    que me deitou minha madrinha,
de estar aqui sete anos,    sete anos e mais um dia.
Hoje se acabam os anos    e amanhã se acaba o dia.
Monta aqui no meu cavalo,    ou na anca, ou na silha.
Na silha, não, cavaleiro,    que é grande descortesia;
na anca, sim, cavaleiro,    que é honra tua e minha.
Lá no meio do caminho,    a donzela se sorria.
Por que te sorris, donzela,    por que te sorris, donzelinha?
Sorrio-me do cavaleiro    e da sua cortesia;
achar a menina no monte    e guardar-lhe cobardia.
Volta atrás, ó meu cavalo,    que a minha espora é perdida.
Não voltes, não, cavaleiro,    não uses da vilania.
A tua espora é de prata,    meu pai de ouro ta daria.
Quem é esse teu pai, donzela,    que tanto ouro teria?
Meu pai é o nosso rei,    minha mãe, dona Maria.
Abra-me a porta, meu pai,    abra-ma com alegria,

Otros datos:
26 cuidei que trazia mulher e trago uma irmana minha.--

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 263-264. Reeditada en RºPortTOM 2004, vol. 4, nº 1297, pp. 53-54. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0169 Hermana cautiva contam.]