IGR: 0164+0100. Versión: 27. Rima: í-a. Hemistiquios 52.
Baçal (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
A caçar vai o caçador, a caçar onde solia,
seus perros leva cansados, seu falcão perdido ia.
Arrumou-se a um roble dos mais altos qu` `i havia;
vira estar uma donzela, vira estar uma menina:
Que fazes aí, donzela, que fazes aí, menina?
Estou cumprindo sete fados que me deitou minha madrinha!
O pêlo da sua cabeça todo o roble cobriam;
os olhos da sua cara todo o mundo relumbriam;
os dentes da sua boca a alva neve pareciam:
hoje se cumpriram os anos e amanhã se acaba o dia.
Baixa-te daí, donzela, baixa-te daí, menina,
levar-te-ei no meu cavalo ou nas ancas, ou na silha.
Nas ancas não, cavaleiro, porque é grã descortesia;
na silha sim, cavaleiro, que é honra tua e minha (mi`a?).
Lá no meio do caminho a niña se lhe sorria.
Por que te ris, ó donzela, por que te ris, ó menina?
Rio-me do cavaleiro e da sua cobardia,
achar a niña no monte e guardar-lhe cortesia!
Volta, volta, meu cavalo, que a espada se me olvida.
Não voltes não, cavaleiro, não uses de tirania,
que se a espada era de prata, meu pai d` ouro ta daria.
Quem era esse teu pai que tanto ouro tenia?
Meu pai é um rei mouro, minha mãe é Constantina.
Pelas novas que me dás tu és uma hermana mia!
Abra-me as portas, meu pai, abra-mas com alegria,