IGR: 0164+0100. Versión: 25. Rima: í-a. Hemistiquios 49.
Parada de Infanções (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Eu montei o meu cavalo, pela aquela serrinha acima;
anouteceu-me num ermo, numa escura montia;
arrumei-me a um roble mais alto que ali havia.
Lá pelo meio da noite meus olhos deitei acima,
avistei uma donzela, avistei uma menina.
Que fazes aí, ó donzela, que fazes aí, ó menina?
Estou a cumprir uma fada que me deitou minha madrinha.
Queres vir comigo, ó donzela, queres vir comigo, ó menina?
Quero, sim, ó cavaleiro, ou na anca, ou na silha.
Lá no meio do caminho, onde ela se sorria.
Por que te ris, ó donzela, por que te ris, ó menina?
Rio-me do cavaleiro e da sua cobardia:
achar uma menina no ermo e guardar-lhe cortesia.
Volta atrás, ó meu cavalo, minha espora é perdida.
Não voltes, não, cavaleiro, não uses de cobardia.
Se a tua espora era de prata, meu pai de ouro ta daria.
Quem era esse teu pai que tanto ouro tinha?
Meu pai é o rei de Espanha, minha mãe, dona Maria.
Pelas novas que me dás eras uma irmã minha.
Abre-me a porta, minha mãe, abre-ma com alegria,
lembrei-me de trazer uma esposa e trago uma irmã minha.
Se é uma filha minha, entra com alegria;
se é uma minha nora, sai pela porta fora.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tu que comias,ó minha filha?
Rabaças dum rabaçal e água duma fonte fria.