La Gallarda v31

IGR: 0200. Versión: 31. Rima: í-a. Hemistiquios 47.

Argozelo (c. Vimioso, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Estando a dama galharda    em su ventana florida,
vira ao longe um cavaleiro    que d` amores a pretendia.
Sobe, sobe, cavaleiro,    sobe, pela tua vida.
Como hei-de subir, senhora,    se el caballo no arriba?
Arruma-lo à `scalera,    dá-lhe um ramo de oliva.
Arrumara-se à ventana    a ver a tarde que hacia.
Vira mais de cem cabeças    decolgadas duma oliva;
conhecera a de seu pai,    a quem tanto ele queria;
conhecera a de seu mano    pela barba miudinha!
Galharda foi fazer a cama,    cavaleiro bem a via.
Entre lenço e colchão    um punhal d` ouro metia;
ela lhe fez de cear,    cavaleiro não comia.
De quem são aquelas cabeças    que estão naquela oliva?
São cabeças de leitão,    maldita erva comiam.
Ambos se foram à cama,    cavaleiro não dormia;
só pelo meio da noite    Galharda se remexia.
Que tienes, dama Galharda?    Que quieres, Galharda mia?
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    Para te quitar la vida!
O punhal d` ouro traidor    em mi mano está metido!
Deu-lhe cinco punhaladas,    da mais pequena morria;
e logo pela manhana    por alto dizer se ouvia:
Dama Galharda ya es muerta    pela vida que tenia.
Bem hajas, ó cavalheiro,    pela tua valentia;
de cem homens que hão entrado    com vida nenhum saía.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 163-164. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1026, pp. 236-237. © Fundação Calouste Gulbenkian.