La Condesita v233

IGR: 0110. Versión: 233. Rima: á. Hemistiquios 89.

Poiares (isla de Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal)

Declarou-se uma guerra    entre França e Portugal;
convidaram conde Flores    p`ra capitão general.
Por quantos annos vaes, conde,    conde, por quantos vaes?
Vou por sete, minha condessa,    vou por sete, nada mais;
se o`s oito não vier,    condessa podes casar.
Ja os oito eram passados    e os nove iam a andar.
Uma manhã de Paschoa    o pae a mandara chamar:
Que me queréis, meu pae,    meu pae, que me queréis dar?
Nada te quero dar, filha,    se te queres casar?
Não, por certo, meu pae,    não por certo em verdade,
que me deu na cabeça    que é vivo o conde dom Blas.
Deite-me a sua benção,    que o quero ir a procurar.
A minha benção te deito    mais a soledade,
vae a tua mãe que t` a deite    a ver se vales mais.
Foi-se para sua casa,    saltou a desnudar-se;
vestiu-se de peregrina    e foi-se a peregrinar.
Sete annos andou por terra    e outros sete no mar,
á entrada de Barcelones    se pusera a merendar.
Viu vir um rapazito    c` uns cavallos a passear:
Dize-me aquí, o rapazito,    não me negues a verdade,
de quem são esses cavallos    que os conheço por sinal.
Estes cavallos, senhora,    são do conde dom Blas;
hoje se alegram as bodas    e amanhã se vae casar.
Pois dize-me aquí o rapazito,    não me negues a verdade,
onde mora esse senhor,    onde mora, onde está?
Indo toda a rua adeante    não lhe pudera fallar;
sete voltas ao palacio    sem olhar por onde entrar.
Ao cabo de sete voltas    numa ventana o viu estar:
Dae-me uma esmola, bom conde,    dae-me por necessidade.
Pois perdoa, peregrina,    que não tenho que te dar!
Algum día, bom conde,    algumas tinhas que me dar.
Pois d` onde é a peregrina,    de que terra ou de que cidade?
Sou de frança, meu senhor,    um pouquito mais acá.
Dize-me, o peregrina,    que se conta por ahí la?
Por ahí la nada se conta,    senhor conde dom Blas
deixou sua mulher só,    sua mulher o anda a buscar.
Mete a mão ao seu bolço,    um real de ouro lhe da.
Ella prometteu ao seu,    levantar o benairá.
Esse vrilá era meu,    me custou uno siodá!
Como pode ser, senhor conde,    como pode ser verdade?
Deu m` o o meu marido    quando nos fomos casar.
-Fique com Deus o palacio,    e a gente que n` elle está,
e Anninha fica borrada    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
de abracinhos e beijinhos    não a posso remediar,
se minha mulher fosse ma    não na vinha procurar.

Otros datos:
Variantes no ortográficas de la ed. de Th. Braga: -5 se aos outo; -12 ir procurar; -13 b. te dou; -18 Barcelona se posera; -19 c` um cavallo; -20 Dizeme, oh r.; -27 sem achar por o.; -32 ou que c.; -38 beneirá; -39 esse beneira era m.; una ciudád.

Bibliografía:
Recogida por Pe. José Augusto Tavares, 1906. (Archivo: AMP). Publicada en Tavares 1906, pp. 320-321. Reeditada en RTLH 4 (1970), pp. 169-171, nº V.178.