IGR: 0023. Versión: 91. Rima: í-o. Hemistiquios 48.
Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Gerinaldo, ó Gerinaldo, pajem de el-rei mais querido,
queres tu, ó Gerinaldo, à noite dormir comigo?
Eu como sou vosso criado, senhora, mangais comigo?
Não mango, não, Gerinaldo, que eu bem deveras to digo.
Diga-me, ó minha senhora, a que horas hei-de ir ao postigo.
Das dez para as onze, enquanto el-rei está dormindo.
Ainda não eram as dez, Gerinaldo ao postigo.
Quem bate à minha janela, quem bate ao meu postigo?
Gerinaldo sou eu, ó senhora, que eu venho ao prometido.
Entra cá, ó Gerinaldo, entra a deitar-te comigo.
Diga-me, ó minha senhora, se eu vim tarde, se vim cedo.
Não vieste cedo nem tarde, vieste em boa hora,
o meu pai já está dormindo, o meu pai deitou-se agora.
Mas el-rei sonhou um sonho que de certo lhe há saído:
ou lhe dormiam com a infanta, ou lhe roubam o partido.
Pegou na sua espada de ouro, foi dar volta ao partido.
Encontrou Gerinaldo com a infanta, como mulher marido.
O rei desde que aquilo viu ficou todo pensativo.
Eu, para matar o Gerinaldo, criei-o de pequenin;o
mas, para matar a infanta, fica o reino perdido.
Meto-lhe a espada no meio, que lhe sirva de castigo.
A infanta acordou por encontrar o ferro frio.
Acorda, ó Gerinaldo, que meu pai nos havia sentido;
vai dar-lhe os bons dias, para que se não acabe o partido.