Gerineldo v90

IGR: 0023. Versión: 90. Rima: í-o. Hemistiquios 44.

Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Gerinaldo, ó Gerinaldo,    pajem de el-rei mais querido,
queres tu, ó Gerinaldo,    dormir à noite comigo?
Cale-se lá, minha senhora,    não esteja a mangar comigo.
Não mango, não, Gerinaldo,    que eu bem deveras to digo.
Diga-me, ó minha senhora,    a que horas hei-de ir ao postigo.
Das dez para as onze,    quando el-rei estiver dormindo.
Ainda não eram as nove,    Gerinaldo ao postigo.
Quem bate à minha porta?    Quem bate ao meu postigo?
Gerinaldo, minha senhora,    que vem ao prometido.
El-rei estava sonhando    que tinha o reinado perdido;
levantou-se de sua cama    todo espavorido.
Pegou na sua espada,    foi dar volta ao partido;
foi dar com eles na cama,    como mulher e marido.
Para matar a princesa,    fica o reinado perdido;
para matar Gerinaldo,    criei-o de pequenino.
Deixo-lhe a espada no meio,    que lhe sirva de castigo.
Acorda, ó Gerinaldo,    que de meu pai já é sabido.
Levantou-se Gerinaldo    todo espavorido.
Donde vens, ó Gerinaldo,    que vens tão espavorido?
Venho de caçar a rola,    daquelas bandas do rio.
A rola que tu caçaste    criei-a eu com o meu trigo;
anda cá, ó Gerinaldo,    anda cá, vem ao castigo.

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 303-304. Reeditada en RTLH 6-8 (1975-1976), 91 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1205, p. 424. © Fundação Calouste Gulbenkian.