Gerineldo v89

IGR: 0023. Versión: 89. Rima: í-o. Hemistiquios 42.

Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Gerinaldo, ó Gerinaldo,    d` el-rei vassalo querido,
queres tu, ó Gerinaldo,    tomares amores comigo?
Cale-se, ó minha senhora,    não esteja a mangar comigo.
Não mango, não, Gerinaldo,    que bem deveras to digo.
Diga-me, ó minha senhora,    a que hora hei-de ir ao postigo.
Vai das nove para as dez,    quando el-rei `stiver dormindo.
`Inda não eram as nove,    Gerinaldo ao postigo.
Ó quem bate à minha porta,    quem me arromba o meu postigo?
Gerinaldo sou, senhora,    que venho ao prometido.
El-rei sonhava um sonho    que mui` certo lhe saíra:
que lhe dormem com a infanta    ou lhe roubam o castilho.
Levantou-se o rei da cama,    foi dar voltas ao castilho,
achou a ambos na cama,    como mulher e marido.
Para matá` la infanta,    fica-me o reino perdido;
para matar Gerinaldo,    criei-o de pequenino.
Meto-lhe a espada no meio,    que lhe sirva de castigo!
Acorda, ó Gerinaldo,    que de el-rei já é sabido.
Donde vens, ó Gerinaldo,    que vens tão espavorido?
Venho de caçar a rola,    daquelas bandas do rio.
A rola que tu caçaste    criei-a eu co` o meu trigo;
toma-a tu por tua esposa,    ela a ti por teu marido.
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Editamos Leite de Vasconcellos 1958-1960, I. -21a Leite inserta «(sic)» tras teu.    

Otros datos:
Variante: -3b `steja (1881 e 1938).

Bibliografía:
Recogido antes de 1881. Publicada en Leite de Vasconcellos 1881a, 62-64 y Leite de Vasconcellos 1938, 987-988 Reeditada en Chaves 1941, 15-16; Leite de Vasconcellos 1958-1960, 304-305; RTLH 6-8 (1975-1976), 92; Pinto-Correia 1984, 303-304 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1204, pp. 423-424. © Fundação Calouste Gulbenkian.