Floresvento v16

IGR: 0343. Versión: 16. Rima: á. Hemistiquios 44.

Velas (c. Velas, isla de S. Jorge, Açores, Portugal)

Joãozinho foi jogar,    uma noite de Natal,
ganhou cem dobras d` ouro,    marcadas e por marcar,
matou um padre de missa,    revestido no altar.
Enganou sete donzelas    que estavam para casar,
e furtou sete castilos,    todos do paço real.
O seu pai quando tal soube,    quisera-o mandar matar,
a mãe, como triste mãe,    começou de prantear:
Não mateis o nosso filho,    que bem custou a criar,
mandai-o p`ra terras longes,    fóra do céu natural.
Andando por terras dentro,    começou de perguntar:
Aqui onde haverá pão,    p`ra este pobre mercar?
Nesta terra não há pão,    nem padeira p`r`ó guisar.
Andando mais por diante,    começou de perguntar:
Aqui onde haverá vinho,    para este pobre mercar?
Nesta terra não há vinho,    nem se usa cultivar.
Andando mais para diante,    começou de perguntar:
Aqui onde haverá água,    p`ra este pobre mercar?
Nesta terra não há água,    nem Deus destina a mandar.
Andando mais para diante,    começou de perguntar:
Aqui onde haverá erva,    para este pobre mercar?
Nesta terra não há erva,    nem se usa a semeiar.
Foi tal a dor que lhe deu,    que logo santo acabara.

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2000: No verso -4 do original figura Enganon; foi corrigido por se tratar de uma gralha.

Bibliografía:
Recogido antes de 1869. (Colec.: Teixeira Soares de Sousa, J.). Publicada en Braga 1869, (y Braga 1982), 230-231 y Hardung 1887, I. 243-245; Soares de Sousa 1902, 282-284; RGP I 1906 (reed. facs.1982) 221-223. Reeditada en Pinto-Correia 1987a, 152-153; Cortes-Rodrigues 1987, 299-300; Pinto-Correia 1994, 97; Carinhas 1995, II.11-12 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 222, p. 387. © Fundação Calouste Gulbenkian.