IGR: 0045. Versión: 42. Rima: á-a. Hemistiquios 48.
Rosais (c. Velas, isla de S. Jorge, Açores, Portugal)
Vesti-vos vós, minha filha, vesti-vos d` ouro e prata,
detende-me aquele moiro, de palavra em palavra.
As palavras sejam poucas, sejam bem arrematadas,
essas poucas que lhe deres, sejam de amores tocadas.
Bem vindo sejas, bom moiro, melhor a vossa chegada,
há sete anos, ó bom moiro, que sou tua namorada.
Há sete anos, vai em oito, que eu por vós cinjo a espada.
Se por mim cinjís a espada, convosco quero ir de casa.
Se o fizerdes, senhora, não sereis mal avisada,
sereis rainha dos moiros, em minha terra estimada.
Se por mim cinjís a espada, não digas que te fui falsa,
que eu vejo vir cavaleiros, sinto-lhe tocar as armas,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] lá vejo vir uma armada,
nela vejo vir um homem que se parece meu pai.
Eu não temo cavaleiros, nem armas que eles tragam,
não temo senão Gabelo, filho da minha égua baia,
que o perdi em pequenino, andando numa batalha.
Chegados os cavaleiros, ele se foi na desfilada.
Valha-me o Deus dos moiros, em tão comprida lavrada.
Essa lavrada, perro moiro, fora lavrada em Maio,
quando os bois andavam gordos e os mancebinhos em bragas,
eram bois de cinco anos, mancebos de vinte e quatro.
Ó mal haja o barqueiro que não tem a barca n` água,
que a hora da minha morte, já para mim é chegada.