El moro que reta a Valencia v42

IGR: 0045. Versión: 42. Rima: á-a. Hemistiquios 48.

Rosais (c. Velas, isla de S. Jorge, Açores, Portugal)

Vesti-vos vós, minha filha,    vesti-vos d` ouro e prata,
detende-me aquele moiro,    de palavra em palavra.
As palavras sejam poucas,    sejam bem arrematadas,
essas poucas que lhe deres,    sejam de amores tocadas.
Bem vindo sejas, bom moiro,    melhor a vossa chegada,
há sete anos, ó bom moiro,    que sou tua namorada.
Há sete anos, vai em oito,    que eu por vós cinjo a espada.
Se por mim cinjís a espada,    convosco quero ir de casa.
Se o fizerdes, senhora,    não sereis mal avisada,
sereis rainha dos moiros,    em minha terra estimada.
Se por mim cinjís a espada,    não digas que te fui falsa,
que eu vejo vir cavaleiros,    sinto-lhe tocar as armas,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    lá vejo vir uma armada,
nela vejo vir um homem    que se parece meu pai.
Eu não temo cavaleiros,    nem armas que eles tragam,
não temo senão Gabelo,    filho da minha égua baia,
que o perdi em pequenino,    andando numa batalha.
Chegados os cavaleiros,    ele se foi na desfilada.
Valha-me o Deus dos moiros,    em tão comprida lavrada.
Essa lavrada, perro moiro,    fora lavrada em Maio,
quando os bois andavam gordos    e os mancebinhos em bragas,
eram bois de cinco anos,    mancebos de vinte e quatro.
Ó mal haja o barqueiro    que não tem a barca n` água,
que a hora da minha morte,    já para mim é chegada.

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2000: *Pires Lima (1959) edita esta versão acrescentando-lhe versos de uma versão quinhentista de Gil Vicente.

Bibliografía:
Recitada por Maria Vitorina Soares (unos 60a). Recogida por Silveira Maria Inácia da, antes de 1869. (Colec.: Teixeira Soares de Sousa, J.). Publicada en Braga 1869, (y Braga 1982) 314-315 y Braga 1876a, 116-117; Braga (1907)/Braga (1985) 325-326 Reeditada en Hardung 1877, II, 27-29; Soares de Sousa 1902, 381-383; Michaëlis de Vasconcellos 1910, 17-18; Lima 1959, 186-187; Carinhas 1995, II.2-3 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº. 42, p. 165-166. © Fundação Calouste Gulbenkian.