IGR: 0045. Versión: 41. Rima: á-a. Hemistiquios 50.
Vinhais (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Bem se passeia moirito, de calçada em calçada,
olhando para Valência, como está de amuralhada.
Ó Valência, ó Valência, de fogo sejas queimada!
Pois, quando eras dos mouros, eras de prata lavrada,
agora sois de cristãos, sois de pedra mal talhada!
Se minha espada me não quebra, minha sustância me não falta,
antes de vinte e quatro horas a mouros serás tornada.
A filha de el-rei Dom Oucidres já foi minha cautivada,
agora tem a mais nova, que será minha namorada.
Ouvira el-rei Dom Oucidres de altas torres donde estava.
Levanta te, ó minha filha, pega na tua almofada,
vai, vence me aquele moirinho, de palavra em palavra.
As palavras sejam poucas, e de amores bem tocadas.
Bem vindo sejas, moirinho, bem vinda a tua chegada!
Sete anos há, ó moirinho, que eu por ti não lavei cara!
Há outros sete, senhora, que eu por si não fiz a barba!
Vai te daí, ó moirinho, não digas que te fiz fala,
a Babeca de meu pai ela trepa na calçada.
Não se me dá pela Babeca, nem por quem na cavalgava,
se a Babeca corre muito, o meu cavalo voava.
Botou por um vale abaixo, não corria, que voava,
o vale estava lavrado, o cavalo se lhe atolava.
Malo haja las lavradas e `ós touros, que as lavraram!
Estas lavradas, moirinho, foram lavradas em Maio,
quando os touros engrossam e `ós mancebos adelgadavam.