El moro que reta a Valencia v37

IGR: 0045. Versión: 37. Rima: á-a. Hemistiquios 42.

Vinhais (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Bem se passeava o mouro    de calçada em calçada,
olhando para Valença,    o que está d` amuralhada.
Ó Valença, ó Valença,    que assim estás d` amuralhada!
Primeiro foste dos mouros    que dos cristianos tomada.
Se a minha espada não quebra    e a minha força não se acaba,
eu irei a Dom Alcidro    e o arrastarei pela barba.
Ouviu a filha do rei,    d` altas torres onde estava.
Acordai, el-rei, meu pai,    que um mouro vos aperreava.
Vai tu, ó minha filha,    cosendo numa almofada,
e detém-me o perro mouro    de palavra em palavra.
Como eu o deterei,    se eu d` amores não sei nada?
Vai falar com tua mãe,    que ela disso bem usava.
Bem vindo sejas, mourinho,    e mai` la tua chegada,
esta tua vinda agora    já cá era desejada.
Há sete anos a esta parte    que eu por ti não lavei cara.
Há sete, minha senhora,    que eu por vós não fiz a barba.
Meteu a mão no bolsilho,    u~a maçã d` ouro lhe dera.
Vai-te daí, ó mourinho,    que eu não te quero ser falsa,
os cavalos de meu pai    já trepam na calçada.
Não tenho medo a teu pai,    nem tão-pouco à sua armada,
só temo o cavalo pio,    filho da minha égua baia.

Otros datos:
Título original:O Cid Defende a Cidade de Valência.

Bibliografía:
Recogida por Pe. José Firmino da Silva, 1904. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 16. Reeditada en Viegas Guerreiro 1976, 31; Viegas Guerreiro 1982, 30 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 36, pp. 158-159. © Fundação Calouste Gulbenkian.