IGR: 0045. Versión: 36. Rima: á-a. Hemistiquios 56.
Baçal (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Lá vai por onde assoma o mouro p`la calçada,
olhando p`ra Valença c`mo iba bem cercada.
Ó Valença, ó Valença, Valença, Valenciana,
primeiro foste dos mouros que de cristãos ganhada!
Minha filha, Violante, sube-t` àquela ventana,
detém-m` aquele mourinho de palavras em palavras.
As palavras sejam poucas, vaiam bem arrezoadas,
vaiam fundadas d` amores, d` amores serão tornadas.
Como falarei d` amores, s` eu d` amores não sei nada?
Venhas embora, mourinho, boa seja a tua chegada,
há seis anos, vai p`ra sete, por ti me ponho delgada.
Outros tantos, p`la senhora, eu não faço la mi barba.
Malo hajam tais amores que s` amam e não dão nada!
Meteu mão no seu bolsilho, maçanas d` ouro le dava.
Dessas maçanas, mourinho, dessas mi padre me dava,
quando eu era chiquilha, com elas m` acalentava.
Quem era esse teu pai que tanto ouro tenia?
Meu pai é o rei Constante, minha mãe é Constantina.
Vai-t` embora, mourinho, não cuides que sou falsa,
que meu pai, com muita pressa, estava aguçando a lança,
não sei se p`ra matar mouros se p`ra ir à caça.
Não tenho medo a Dom Cidro, nem à gente qu` ele traga,
não há cavalo de tropa qu` aguente mi égua vaia,
num sendo um potragón que se me perdeu na montanha.
Esse potragón, mourinho, mi padre le dá cevada,
quarta e meia cada dia, quatro alqueires por semana.
Diga, diga-me, ó senhora, por onde é a retirada?
Fuja essa rua abaixo, por cima já esta cercada.
Notas del RºPortTOM 2000: Editamos Marques (1985b) por ter corrigido Leite (1958) a partir dos manuscritos do Abade de Baçal