El moro que reta a Valencia v35

IGR: 0045. Versión: 35. Rima: á-a. Hemistiquios 48.

Parada de Infanções (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Bem se passeia mourilho    de calçada em calçada,
olhando para Valência,    como estava muralhada.
Ó Valência, ó Valência,    Valência não vales nada!
Quando tu eras dos mouros,    d` ouro eras mociçada,
agora, que és dos cristãos,    nem de pedra mal picada.
Ouvira-o el-rei Dom Cidro,    d` altas torres d` onde `stava,
chamou pela sua filha:    Pega lá nessa almofada,
dilata-m` aquel` mourilho    de palavra em palavra.
Como farei isso, meu pai,    s` eu d` amores não sei nada?
Bem-vindo sejas, mourilho,    boa é a tua chegada,
sete anos hai, ó mourilho,    qu` eu não visto faldra lavada.
Outros tantos hai, senhora,    qu` eu não faço a minha barba.
Meteu a mão el bolsilho,    maçãs d` ouro lh` atirava.
Dessas, dessas, ó mourilho,    tembém meu pai me las dava.
Vai-te daí, ó mourilho,    não digas que te sou falsa,
meu pai deu fio à lança,    não foi para ir à caça.
Não há cavalo que alcançe    a minha eguinha vaia,
senão o cavalo qu` eu tenho    qu` ela dele anda prenhada.
Oh qu` aradas tão cumpridas!    Oh que cumpridas aradas!
Quando os touros andam gordos,    os mancebos adelgadam.
Ao passar do Guadiana,    atirou-le u~a lançada,
a lança ficou no corpo    e o pau caiu à água.
Espera aí, ó mourilho,    que te quero dá-la paga!
Come esperarei eu, meu senhor,    se meu sangue vai pela água?

Otros datos:
Título original:O Cid Defende a Cidade de Valência.

Bibliografía:
Recogida en 1902. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 17-18. Reeditada en Redol 1964, 83-84; Pinto-Correia 1984, 119-120; Pinto-Correia 1986, 11-12 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 34, p. 157. © Fundação Calouste Gulbenkian.