IGR: 0049. Versión: 122. Rima: á. Hemistiquios 36.
Sarzedas (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Lá vai o conde de Ninho, seu cavalo vai banhar,
enquanto o cavalo bebe, formou ele um belo cantar.
Bebe, bebe, meu cavalo, Deus te guarde do meu mal,
Deus te guarde do mal da terra e das ondas do mar.
Acorda, ó bela infanta, se bem quereis ouvir cantar,
ou são os anjos no céu, ou a serena no mar.
Nem são os anjos no céu, nem a serena no mar,
é o bom do conde de Ninho que comigo quer casar.
El-rei, desde que aquilo souve, logo o mandara matar.
Se mandais matar o conde, mandai-me a mim degolar,
a ele enterrai-o às portas da igreja, a mim aos pés do altar.
De um nasceu um pinheirinho, do outro, um rico laranjal.
Um cresceu e o outro cresceu, à ponta se foram ajuntar.
El-rei, desde que aquilo souve, logo os mandou cortar,
um deitava leite puro, o outro, sangue real,
de um nasceu uma pombinha, do outro, um pombo trocal.
Levantaram ambos o voo, à mesa do rei se foram pousar.
Quem tiver filhos ou filhas, não lhe proíva o casar!