Conde Niño v122

IGR: 0049. Versión: 122. Rima: á. Hemistiquios 36.

Sarzedas (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Lá vai o conde de Ninho,    seu cavalo vai banhar,
enquanto o cavalo bebe,    formou ele um belo cantar.
Bebe, bebe, meu cavalo,    Deus te guarde do meu mal,
Deus te guarde do mal da terra    e das ondas do mar.
Acorda, ó bela infanta,    se bem quereis ouvir cantar,
ou são os anjos no céu,    ou a serena no mar.
Nem são os anjos no céu,    nem a serena no mar,
é o bom do conde de Ninho    que comigo quer casar.
El-rei, desde que aquilo souve,    logo o mandara matar.
Se mandais matar o conde,    mandai-me a mim degolar,
a ele enterrai-o às portas da igreja,    a mim aos pés do altar.
De um nasceu um pinheirinho,    do outro, um rico laranjal.
Um cresceu e o outro cresceu,    à ponta se foram ajuntar.
El-rei, desde que aquilo souve,    logo os mandou cortar,
um deitava leite puro,    o outro, sangue real,
de um nasceu uma pombinha,    do outro, um pombo trocal.
Levantaram ambos o voo,    à mesa do rei se foram pousar.
Quem tiver filhos ou filhas,    não lhe proíva o casar!

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 288. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 469, pp. 156-157. © Fundação Calouste Gulbenkian.